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– 10% da Intel viria da conversão de subsídios da CHIPS Act em ações, sem direito a voto
– O governo busca retorno financeiro e fortalecimento da indústria nacional de chips
– Movimento é arriscado, visto que a Intel enfrenta prejuízos, atrasos e forte concorrência externa.
Conforme publicado pelo Tom’s Hardware na última segunda-feira (18), o governo dos Estados Unidos (EUA), agora sob a segunda gestão de Donald Trump, está conduzindo uma iniciativa incomum no setor de tecnologia: adquirir uma participação acionária de aproximadamente 10% na Intel.
A ação visa transformar subsídios anteriormente concedidos à empresa por meio da CHIPS and Science Act, do governo Biden, em participação acionária, em uma estratégia que representa tanto cálculo econômico quanto defesa de interesses nacionais.
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O secretário de Comércio, Howard Lutnick, confirmou que a ideia é “obter algo em troca do dinheiro” destinado à azulzinha, fazendo com que os bilhões em subsídios se convertam em ações sem direito a voto, de modo a não interferir na gestão da empresa.
No mais, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, chamou o plano de “inovador” e alinhado com a estratégia de reconstruir correntes de suprimentos críticas dentro dos EUA, além de garantir retorno aos contribuintes.
Até o Japão está envolvido

O ponto de partida desta investida governamental ocorre em meio ao aporte de US$2 bilhões (R$11 bilhões) da japonesa SoftBank, que adquiriu cerca de 2% da Intel, sinalizando confiança externa no possível turnaround da companhia.
Vale lembrar que o Time Azul enfrenta desafios graves, como: atrasos na construção da fábrica em Ohio, perda de competitividade frente à TSMC, e um difícil caminho para recuperar o protagonismo no mercado de semicondutores, principalmente em inteligência artificial. A situação já resultou em prejuízos expressivos, inclusive um rombo anual de US$ 18,8 bilhões (R$103 bilhões) em 2024.
Estratégia inovadora, mas nem tanto
Apesar de rara, essa proposta de investimento governamental tem precedentes, uma vez que durante a crise de 2008, o governo americano adquiriu cerca de 60% da General Motors para evitar a falência. Agora, a aposta é que um movimento mais discreto, com participação sem poder de governança, ajude a estabilizar uma gigante americana enfraquecida.
Por fim, o novo possível acordo entre governo e Intel mostra uma mudança de estratégia, pois ao invés de doar recursos, o Estado busca retorno sólido, ao mesmo tempo que coloca mais um pilar industrial sob tutela indireta.